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segunda-feira, 30 de maio de 2016

ENTREVISTA #08 - HECHO A MANO CUSTOM

Hoje tive a oportunidade de trocar uma ideia com o Pedrão do Hecho a Mano sobre as motocas dele e entender um pouco mais sobre o mercado das Harleys antigas. Para quem curte essas velhinhas o blog dele é parada obrigatória, pois tem muito conteúdo relacionado a mecânica e como ele faz as manutenções, mas chega de enrolação e vamos ver o que ele falou pra gente.

Barbados - Você tem duas shovels e uma dyna. Como faz para manter as três motos rodando, já que moto boa é moto que anda?

Pedrão - São duas Harleys "panshovel" (shovelhead generator), anos 1966 e 1969, e uma dyna 2008, além, de uma farm truck Chevrolet 1950 "boca de sapo". Juntando tudo mais minha carcaça dá uns 224 anos de história.

Manter essas motos rodando é mole, mas com respeito à idade. O coração dessas motos tem centenas de milhares de quilômetros rodados, são refrigerados a ar e submetidos a vida inteira ao calor de 40 graus carioca. São motores montados diretamente no chassis, sem radiador, coxins ou balanceiros para reduzir vibrações, como as novinhas. O sistema de ignição usa platinado e condensador, não possui nenhum sensor, a carburação e o avanço de ignição são afinados "no ouvido", e os freios a tambor plenamente adequados à época em que o trânsito não exigia muito.

Depois de 50 anos rodando, vê-se como as Harleys de verdade eram robustas e a manutenção bastante simples.

Barbados - As reformas nas shovels, você fez tudo sozinho na garagem de casa? Teve alguma coisa que levou em alguma oficina especializada?

Pedrão - Peguei essas motos no bagaço. Suspensões estouradas, rolamentos de rodas e coluna de direção, tanque enferrujado, motor fumando, tuchos batendo, vazamento de óleo do câmbio, comando de válvulas erodido, carrinhos frouxos, guias de válvula quebrados, primárias com folga, dínamos estragados, relação sem regulagem, sem freios, etc.

Desmontei as motos e fui arrumando, a maior parte na companhia de uma cerva, na garagem de casa. Como tive que refazer a elétrica de uma delas, contei com a ajuda dos mestres André Fonseca e Mário e, na retífica dos motores/câmbio, o mestre Helmut foi meu guia.


Barbados -  Já fez alguma reforma para terceiros ou o só faz como hobbie mesmo?

Pedrão - Não sou mecânico profissional e faço minhas coisas só para mim. Cresci vendo meu pai reformar na garagem de casa um Mustang hardtop 69 e um Mustang Guia 75, entre carburadores e ferramentas. Na faculdade de engenharia fiz uma cadeira de mecânica e outra de máquinas, onde adquiri algum conhecimento.

Barbados - Você faz ou já fez viagens mais longas nas velhinhas, acima de 500km por exemplo? Ou deixa elas só pra dar um rolê mesmo?

Pedrão - Nunca fiz viagens longas com elas. Mas tenho planos.

Barbados - Recentemente, vi um documentário e as motos apresentaram vários problemas durante a viagem. Você já ficou quebrado no meio da estrada?

Pedrão - Com as shovel não. Um camarada que tem uma shovel 74, o Felipe Cabral, fez uma viagem de 4 mil quilômetros com ela e acho que só veio ter um probleminha chegando ao Rio. Essas motos são bem confiáveis.

Barbados - Nesse mesmo doc. um dos caras comenta que quando comprou sua ironhead 1977, ele não tinha muita grana e ela foi o que deu pra comprar. Aqui a situação é bem diferente. Se por um lado por serem motos importadas e em pouca quantidade (o que justifica um preço mais alto) por outro há uma "cultura" de que HD tem que ser cara e se for antiga então tu tem que vender um rim pra comprar. O que você pode falar sobre essa questão, de oferta x procura pelas antigas?

Pedrão - As antigas são cada vez mais raras, daí é questão de oferta x demanda mesmo. Mas tem outro lance: são Harleys de verdade, sem plásticos, tampinhas etc. Talvez isso as valorize tanto. Hoje vi uma Panhead customizada pela Spades por R$ 200 mil. Três ou quatro anos atrás, uma Panhead abandonada por décadas sem rodar, com motor travado, foi leiloada pelo Lord of Motors por R$19.000,00. Não fui eu quem dei o lance ganhador e sei que ela está do mesmo jeito até hoje, mas pagaria os 19 para tê-la.

Barbados - E essa história dos nomes? É alguma homenagem?

Pedrão - Dercy foi o nome dado por um amigo. O apelido pegou na turma. Daí achei melhor batizar a outra de Aracy de Almeida, a Dama do Encantado. Achei os nomes bem adequados às velhotas.

Dercy

Aracy

Santa Esmeralda

Pedrão, muito obrigado pela atenção e parabéns pelo trabalho de restauração e customização. Apesar de leigo quando o assunto são as antigas e as vezes questionar seus valores, deu para entender um pouco mais sobre esse meio depois de ver você falando. Tem que ter muita paixão por elas. E essa paixão não tem preço. Mais uma vez parabéns e nos vemos na estrada!

sexta-feira, 29 de abril de 2016

ENTREVISTA #07 - PILOTO LEANDRO MELLO

Quando eu chego para os meus amigos e falo que bati um papo com o Leandro Mello, alguns pensam que é até piada, mas não é. Realmente conversei com ele através de mensagens e é um cara super gente boa e atencioso. Quando eu ia imaginar que ia mandar umas perguntas e ele iria responder? Já era fã do trabalho dele e agora sou mais ainda. Valeu demais!


Barbados - Não tem como bater um papo com você e não falar de moto. É a mesma coisa que conversar com o Pelé e não falar de futebol. Além do motociclismo, tem algum outro esporte que você pratica ou acompanha?

Leandro Mello - Acompanhar mesmo é o motociclismo, vejo muito pouco TV. Adoro esporte, fazia maratona, joguei vólei por muito tempo em times, hoje jogo tênis e meu hobby é pedalar porem adoro estar de bike em trilhas.

Barbados - Qual o seu maior ídolo no esporte e porque?

Leandro Mello - Tenho dois, Ayrton Senna e Rossi! Meu pai foi piloto de carro, por isso quando pequeno seus amigos também pilotos se reunião sempre para assistir corridas. Era o melhor do meu final de semana, me lembro o quanto chorei quando ele morreu, parecia que tinha perdido um parente muito próximo.
O Valentino tive a oportunidade de pilotar duas vezes juntos e estar mais quatro vezes com ele. Foi minha inspiração para fotos na revista e é ate hoje, temos a mesma idade e quando acho que devo parar por estar ficando velho o Vale me mostra que podemos ir alem!

Barbados-Hoje você trabalha como jornalista e piloto de testes, além de ministrar cursos de pilotagem. Nessa correria toda, enjoa de andar de moto ou como está sempre pilotando algo novo não tem como ficar chato?

Leandro Mello - Não enjoou nunca. As vezes piloto por duas semanas quase todo dia, chego em casa exausto mesmo, com dores no corpo e na mão. Dai no dia seguinte minha esposa me pega de manha colocando minha moto de cross na caminhonete e não entende. Eu falo que estava cansado de andar de moto a trabalho e que preciso dela para relaxar, só eu, a moto e a pista. Se eu puder ando de moto todos os dias!


Barbados-Uma coisa que eu falo muito aqui no blog é sobre cervejas artesanais e especiais. Um mercado de cresceu muito nos últimos anos e ainda tem muito pra crescer. Você conhece alguma ou já experimentou?

Leandro Mello - O problema do atleta aposentado é o quanto gosta de churrasco e cerveja. É uma bebida que aprecio bastante. Sempre que viajo mundo a fora experimento cervejas locais e artesanais!

Barbados-Pra finalizar, você pode falar qual foi a melhor moto que você já pilotou e porque? Independente de marca, modelo ou cilindrada. Aquela que entregou mais diversão!

Leandro Mello - Colocar uma moto e difícil, pois cada categoria tem uma que pode se destacar bastante. Motos que me marcaram foram a DT180 1984, a RD350 1986, Zx7 1991, R1 1998, GSX-R 1000 2001 e H2R!

quinta-feira, 31 de março de 2016

ENTREVISTA #06 - CERVEJEIRO PEDRO RIBEIRO


Recentemente participei de um curso de fabricação de cerveja artesanal com a companhia do meu brother Diego do UbarCast. Ele já fez alguns vídeos comigo, então pra quem segue o canal do Barbados não é novidade.

O curso foi realizado no Rio de Janeiro no Lapa Café. Pretendo fazer uma série de posts para mostrar como foi o curso, porém antes disso nos batemos um papo bem bacana com o Pedro Ribeiro, que ministrou o curso juntamente com sua esposa Kate.

Da esd. - Eu, Kate, Pedro e Diego

Barbados - Como foi a descoberta do universo das cervejas especiais?

Pedro - Em 1994 uma prima minha morava nos EUA e prestes a se casar ela trouxe o noivo para conhecer a família aqui no Brasil. Quando eles chegaram, eu o convidei para visitar o Oktoberfest (festival da cerveja aqui no Rio). Era um evento grande e após rodarmos por vários estandes e experimentarmos diversas comidas diferentes, o Jim (noivo da minha prima) chega pra mim e fala: "Pedro? Tá muito bacana, comida muito legal, mas só tem dois estilos de cerveja aqui nesse FESTIVAL DA CERVEJA?"
Eu não entendi a pergunta dele, naquela época eu não tinha como entender a pergunta dele, achei até que ele tava tirando uma onda, mas de todo o modo eu respondi: "Olha Jim, você tem aqui o chopp claro e o chopp escuro, o que mais você quer né. Do que você está sentindo falta?"
Enfim, dois anos depois eu estava nos EUA e me deparei com uma realidade totalmente diferente. Nós saíamos para beber em alguns brewpubs e em cada um tinha no mínimo quatro estilos diferentes de cerveja e na maioria dos casos elas eram produzidas no próprio brewpub. Ai que eu me dei conta do vexame que foi naquela época tê-lo levado para o festival no Rio. Mas foi uma experiência maravilhosa, foi daí que surgiu toda essa ideia de fomentar a cultura cervejeira no Brasil.

Barbados - Como era o mercado cervejeiro no Brasil naquela época? Onde e como você foi buscar mais conhecimento sobre o assunto?

Pedro - O mercado nacional se restringia basicamente a cervejas claras do tipo "Pilsen" e em alguns lugares era possível encontrar uma versão escura dessa mesma Lager. Pra falar a verdade, naquela época Lager ou Ale não queria dizer nada para nós. As cervejas encontradas eram Brahma, Antártica, Skol, uma Bohemia ou a Original, que eram consideradas especiais. Uma vez ou outra uma Cerpa do Pará, Xingu, Caracú que eram cervejas escuras e até mesmo a Malzbier da Brahma.
Depois que voltei dos EUA que eu comecei a pesquisar e me aprofundar no assunto. Na época tínhamos acesso somente a literatura dos EUA e por meio de blogs. Começamos a conversar com cervejeiros caseiros da Europa, dos EUA e até mesmo na Argentina onde a cervejaria caseira já estava mais difundida. Então começamos a produzir em casa com alguns amigos. As primeiras não deram muito certo mas não desistimos, apesar de não haver nada em termos de lojas com insumos e equipamentos, cursos.
Cursos...na época não tinham muitas opções. Tinha um em Minas que a gente soube, um amigo meu chegou a fazer, tinha outro em São Paulo. Era difícil encontrar alguém que produzisse e nós fomos fazendo, na garra, na coragem e depois de algum tempo percebemos que estávamos produzindo com qualidade. Foi nesse momento que decidimos compartilhar o conhecimento e começamos a ministrar os cursos.

Só complementando a primeira e a segunda perguntas, hoje você tem lojas físicas e online de insumos, equipamentos, muitas pessoas produzindo, uma quantidade cada vez maior de brewpubs. Literatura vasta, você vai às livrarias e tem de tudo. Isso tudo sem falar nos eventos e festivais. No Rio tem eventos mensalmente uma ou duas vezes por mês. Muitas vezes em outras cidades, como em Blumenau no começo do mês, ou seja, o calendário é cheio e o que não falta são opções.

Barbados - Há quanto tempo você está ministrando os cursos?

Pedro - Já são onze anos desde o primeiro curso. Tenho quase certeza que foi o primeiro curso no Rio, talvez um dos primeiros no Brasil. De lá pra cá já foram quase 80 cursos, praticamente duas mil pessoas se formaram. Hoje, alguns ex-alunos tem sua própria cervejaria, bar, pub, outros continuam como hobbie ou trabalham no setor de alguma outra maneira. E isso é muito gratificante!

Barbados - Você foi um dos fundadores da aCerva Carioca (antiga Confraria do Marques). Conte-nos como foi esse processo de formação da primeira aCerva nacional. Quais foram as dificuldades e as conquista de lá pra cá?

Pedro - Em relação à aCerva Carioca foi um processo bem bacana. Na época, devido a dificuldade de encontrar insumos e pessoas que produzissem cerveja, mesmo com a internet era algo complicado, então começamos a fazer reuniões com nossos ex-alunos, integrantes da Confraria juntamente com outros cervejeiros que na época estavam começando a produzir. Dessas reuniões surgiu a ideia de criar um CNPJ, a princípio com a intenção de comprar insumos por um preço melhor e em quantidades maiores, mas logo percebemos que a missão era outra e a partir daí começamos a promover concursos e encontros cervejeiros.
Com relação a dificuldades, acho que foi um processo muito natural. Inicialmente por se tratar de um grupo pequeno, fica sempre mais difícil para realizar as coisas. Depois as adesões foram surgindo e hoje tem um grupo bastante consolidado, não só na aCerva Carioca mas em outras cidades também. Hoje é possível ver um cenário muito maior do que no início; em festivais, todos os lugares você vê que a aCerva está presente e continua com seus próprios eventos, sejam eles regionais ou nacionais.

Barbados - Porque ministrar cursos e não abrir a própria cervejaria?

A princípio nossa proposta, nossa “missão”, era de fomentar a cultura cervejeira. Não pensávamos na possibilidade de ter uma cervejaria própria. Naquela época era algo intangível e o nosso desejo era realmente disseminar a cultura cervejeira e mostrar para as pessoas que era possível fazer cerveja em casa e esse objetivo foi alcançado e sempre tivemos muito prazer em fazer isso.
A ideia de ter uma cervejaria começou a ganhar corpo de um tempo pra cá, especialmente depois de desenvolver rótulos para outras empresas, observar o mercado e ver a crescente demanda pelas cervejas especiais. Estamos com a expectativa de lançar um ou dois rótulos ainda esse ano, provavelmente no segundo semestre. Esperamos muito em breve poder lançar essa novidade e vocês vão saber em primeira mão.

Barbados - Assim como para ser um motorista habilidoso você não necessita de habilitação, para ser um bom mestre cervejeiro, você acha que é necessário ter uma formação técnica ou acadêmica?

Pedro - Em minha opinião não é necessário. Há algum tempo atrás era comum ver mestres cervejeiros de grandes indústrias que não tinham um conhecimento vasto sobre as cervejas e seus inúmeros estilos. Tinham muito conhecimento industrial, eram técnicos que sabiam produzir uma "Pilsen", mas na hora de pensar em inovações ficavam sem saber o que fazer. Hoje é muito comum e temos exemplos por ai de mestres cervejeiros que trabalham em cervejarias conhecidas que vieram da panela. Não começaram tendo uma formação técnica ou acadêmica, até porque os cervejeiros da panela têm uma forma de pensar e produzir totalmente fora da caixa, o que contribui muito quando chegam ao meio industrial. São esses cervejeiros que estão ajudando a indústria a sair do lugar comum. Temos bons exemplos por ai, como o Gabriel de Martino que durante muito tempo foi o mestre cervejeiro da Therezópolis e hoje está nos EUA se aperfeiçoando. Existem vários outros casos, como de microcervejarias que começaram a partir da elaboração de pessoas que produziam em casa, cresceram, hoje já venderam sua cervejaria para a Ambev e nem todos eles tinham uma formação específica de mestre cervejeiro.
Como estamos falando de um cenário muito dinâmico, isso vai começar a mudar. A procura por cursos técnicos e acadêmicos vai aumentar, os cursos vão se aperfeiçoar para que possam oferecer ao mercado de trabalho um profissional mais completo e que não se limite apenas em operar máquinas e executar receitas, mas reitero o que disse antes: "não há realmente essa necessidade de ter uma formação para ser um excelente mestre cervejeiro".

Barbados – Em que aspectos uma formação de mestre cervejeiro pode ser interessante?

Pedro - Uma formação acadêmica vem a calhar quando você vai de fato começar a trabalhar, seja porque entrou para a indústria ou porque vai abrir sua própria cervejaria, no sentido de operação de equipamentos e processos que é algo totalmente diferente de elaboração e criação de receitas. Tem a ver com processo industrial e administração do negócio, mas não é algo que influencie na habilidade do cervejeiro.

Barbados - Você disse que tem viajado o Brasil ministrando os cursos. Como tem sido essa experiência?

Pedro - Temos cursos agendados para São Paulo, estamos fazendo um contato em Minas, em Brasília já estamos indo para o terceiro curso e é um lugar onde estamos criando um público cativo. Realmente é uma oportunidade única ir a outras cidades, conhecer outros lugares e pessoas. Em cada lugar o curso é diferente, a dinâmica é outra, as pessoas são diferentes e isso é enriquecedor. Aliás, uma das razões para eu dar os cursos hoje, além daquela inicial de disseminar a cultura cervejeira, esse contato com um público tão variado tem sempre uma troca muito bacana. Aprendo muito com relação a vários assuntos, até mesmo na maneira de ensinar, como transmitir o conhecimento, a melhor maneira de se fazer algo, considerar e respeitar as pessoas. Isso sempre trás muito mais do que apenas um retorno financeiro ou algo do tipo, eu acho que dá mais sentido na vida.

Barbados - Se algum leitor do blog se interessar em contratar você para um curso. Como ele pode entrar em contato?

Pedro - Se algum leitor tiver interesse em contratar o curso, teremos o maior prazer em atender. Basta visitar o site Curso de Cerveja Artesanal, lá tem muitas informações sobre como o curso acontece.
Pode entrar em contato pelos seguintes telefones:
Celular / Whatsapp - (21) 988382498
Fixo - (21) 3079-0366
Ou através do email: curso@cursodecervejaartesanal.com.br
Em breve teremos novidades, como curso online que é algo muito interessante, principalmente para pessoas que moram longe ou que por alguma razão não possam vir ao Rio ou levar o curso até sua cidade.

Desde já gostaria de deixar meu agradecimento ao Pedro, não só pela entrevista mas pelo curso e toda troca de ideias que tivemos. Conhecimento nunca é demais, e é sempre bom entrar em contato com especialistas no assunto.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

ENTREVISTA #05 - TANINJA MOTOFILMADORA

Já que por aqui só aparece barbudo resolvi convidar a Tábata que mora em Brasília-DF, para trocar uma ideia com a gente e divulgar o blog pra mulherada também. Ela tem alguns milhares de seguidores no Instagram e também faz sucesso como motofilmadora.


Barbados - Me fale um pouco sobre como e quando você passou a se interessar por motos.

Taninja - Sempre fui apaixonada desde pequena, mas comecei a andar de moto depois de acordar por muito tempo cedo todos os dias para ir trabalhar (05:30 da manhã) e chegava mega tarde em casa por conta do curso técnico de enfermagem, fui assaltada quando estava descendo para a parada, desde então coloquei na minha cabeça, vou comprar uma moto, sempre quando eu estava de ônibus via algumas mulheres passando no corredor de BIZ e comecei a ter aquela ideia
fixa (Vou ter uma MOTO). Tirei a carteira e comprei a TABIZ meu primeiro amor, e daí acabei me apaixonando por esse veículo de duas rodas cada vez mais. E sempre falo para algumas meninas, compre uma moto ai você vai ver o que é ser feliz de verdade!



Barbados - Como você vê a cena motociclística para as mulheres ai no DF?

Taninja - Então, hoje em dia está cada vez mais comum ver as mulheres pilotando e vejo que muitas estão perdendo o medo e vencendo essa barreira de que só homens pilotam motos.

Barbados - Rola muito preconceito?

Taninja - Rola sim, muitos homens ficam falando que moto é coisa de homem, que nós não conseguimos controlar uma moto grande, que mulher combina somente com scooter, já ouvi tanta coisa.

Barbados - Pelas fotos, vi que você anda numa esportiva. Já pensou em algum outro estilo custom, trail, touring?

Taninja - AMOOOOO ESPORTIVA. Mas gosto muito de todos os estilos de moto, se eu pudesse teria uma coleção de cada estilo. Uma moto que enche meus olhos é a Night Rod da HD, acho ela demais, motorzão.

Barbados - E tombo, já levou algum? Tem costume de andar com macacão?

Taninja - Então, já levei 3 quedas...
1- O cara entrou na contramão e me acertou de lado, machuquei o pescoço;
2- Estava na minha faixa e o cara estava no celular e me acertou, tive apenas hematomas, graças a Deus estava com jaqueta e luvas;
3- Deixei a moto tombar no cascalho, tentei segurar a moto pra ela não se machucar só que não consegui e o peso foi parar no meu pé, fiquei uma semana de gesso.
Sempre que pego a BR uso o macacão. Se protger é fundamental, mas na cidade uso sempre luvas e jaquetas, quando esqueço a luva volto em casa pra buscar.


Barbados - E MotoGP? O que dizer sobre a última temporada, e o que esperar para esse ano?

Taninja - Sou fã demais do MotoGP, esse ano a disputa foi eletrizante, cada curva, cada ultrapassagem de deixar qualquer um de queixo caído. A rivalidade entre o Rossi e MM deu o que falar, foi realmente uma das melhores corridas que assisti. Esse ano espero que seja mais emocionante ainda e que eu consiga ir assistir a corrida ao vivo.

Barbados - Só mais uma pergunta. E de mecânica, você manja algo? Dá pra se virar se a moto der algum problema? Lógico que dentro do possível ne. Nada que tenha que abrir um motor e tal, mas uma manutenção básica.

Taninja - Então, de mecânica eu não entendo muito mas sei verificar o nível do óleo, sempre dou uma limpada na minha corrente e depois lubrifico.
Sei calibrar os pneus, acho que isso é fundamental saber verificar o estado do seu pneu porque não dá pra pegar a estrada antes de verificar se estão aptos para rodar. Já tentei apertar a corrente mas sem sucesso, não deu certo e tive que levar para o meu mecânico me dá um auxílio.


Tábata valeu demais o bate papo. Espero que sirva de incentivo para as mulheres que tem vontade de aprender a pilotar e para quem já sabe que continue, apesar de algum comentário machista que possa aparecer de vez em quando. Acho que toda mulher que gosta de andar de moto (mesmo que na garupa) deveria experimentar a sensação de pilotar pelo menos uma vez. O difícil seria convencer ela a andar na garupa de novo.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

ENTREVISTA #04 - MOTTO CUSTOM HELMETS

O bate papo de hoje foi com o Humberto da Motto Custom Helmets, que produz capacetes artesanais. E como já falei nas entrevistas anteriores, não ganho nada pra fazer isso aqui a não ser conhecimento de novos parceiros. Então vamos lá.

Barbados - Cara, eu nunca tinha escutado ninguém falar sobre a marca, acabei encontrando por acaso. Há quanto tempo a Motto Custom está no mercado?

Motto - Comecei fazendo algumas peças pra uso pessoal com base de capacetes antigos há 2 anos. Como marca Motto Custom há aproximadamente 1 ano!

Barbados - Onde e como você verificou essa oportunidade de negócio aqui no Brasil?

Motto - Na verdade começou por uma necessidade em se encontrar um produto que me atendesse pessoalmente. Sempre gostei muito dos Bell Custom, porém era difícil achar variedade de tamanhos e modelos no Brasil, e uma particularidade da qual eu não gostava era seu aspecto “peru da sadia" na cabeça. Procurava também por um capacete fechado com cara dos anos 70, foi então que achei entre os antigos um Bell Star 1975, um Nolan N12 1982. Reformei eles porém, ambos ficaram muito grandes, anunciei nos grupos de internet e vendi o Bell em 2 horas. Nesse momento despertou em mim a oportunidade que poderia me render algum dinheiro, mas como hobby e não como business.

Casco original

Barbados - Os capacetes que você produz são inspirados em alguns modelos que marcaram época. De onde veio essa ideia?

Motto - Nossos capacetes são uma mescla de vários cascos antigos que originou um casco próprio. Todos tem a mesma base de casco que é um casco nosso desenvolvido a partir de 2 ou 3 cascos antigos, a partir dai alteramos a “queixeira” para a diversidade dos modelos.

O Motto Star que faz lembrar os capacetes de corrida dos anos 70 é inspirado no Bell Star porém o desenho é nosso.

Motto Star

O Motto Bandit é inspirado nos Simpsons dos anos 70/80, muito usado em corridas de dragsters, porém novamente foi desenhado a partir de fotos com várias referencias além dos Simpsons.

Motto Bandit

E o Motto 3 Inspirado no Bell Moto 3 da década de 70/80 usado para motocross, esse particularmente foi usado um Moto 3 original para tirar somente a copia do queixo, e posteriormente adaptado a parte traseira do nosso casco.

Motto 3

Barbados - A Motto Custom tem algum modelo exclusivo? Tem possibilidade de fabricar sob medida ou solicitar um acabamento diferenciado?

Motto - Eventualmente criamos algo diferente, até como teste de mercado, utilizando a nossa base que é sempre a mesma, com exceção do nosso modelo aberto que e um casco a parte.

Mini Motto

Criar algo totalmente personalizado, incluindo o casco é complexo, pois demanda tempo e custo. Mudanças nas entradas de ar e outras particularidades nós já fazemos, já algo totalmente novo tem de ser avaliado! Quanto a pinturas e acabamentos, tudo dentro da viabilidade tentamos executar.

Barbados - Além dos capacetes, a Motto Custom tem algum outro produto?

Motto - Temos T-shirts, bonés, luvas e capacetes. Nossas luvas são inspiradas nas “worker gloves” usadas nos EUA. São fabricadas em couro de carneiro e tem as costuras dos dedos para o lado de fora, com isso conseguimos uma luva mais justa nos dedos, sem aquele aspecto de luva de goleiro, e sem incomodar em longos trechos de pilotagem. Estamos agora desenvolvendo um couro hidrofugado, resistente a água, couro com estampa, e modelos que mesclam couro e jeans e couro e brim. Temos uma demanda muito grande no exterior por essas luvas pois as mesmas são diferentes de tudo que há no mercado, com sua gama de cores e o detalhe das costuras que geram maior conforto. Novamente as luvas foram desenvolvidas a partir da busca no mercado de algo semelhante para uso pessoal.

Luvas Olschool

Outros produtos que temos pilotos e que serão lançado em breve, jaquetas e coletes jeans de 14.8oz e camisa jeans de 9oz com elastano no black jeans e no blue jeans e uma mochila!

Barbados - Eles possuem certificação do Inmetro? Se ainda não possuem, você tem alguma intenção de conseguir a certificação?

Motto - Os nossos capacetes tem um tamanho muito reduzido, são bem “slim” e justos a cabeça, mantendo esse formato fica quase impossível as certificações nos padrões de exigência de hoje, apesar de serem feitos em fibra de vidro! Além disso o investimento é altíssimo para adequação a certificação, chegando em média de 500 mil reais por modelo.
Para um investimento desse tamanho teríamos de ter uma produção industrial, o que contraria o nosso propósito de ser um produto 100% nacional e 100% handmade, além da questão dos tamanhos reduzidos que acredito ser o nosso maior atrativo. Mesmo assim acredito que futuramente não teremos escolha a não ser industrializar e certificar os produtos.

Barbados - Em relação a segurança, você indica o uso dele em rodovia?

Motto - Por não se tratar de um capacete homologado, nós não indicamos o seu uso em estradas. Mas por exemplo um capacete fechado não homologado pode proteger mais do que um aberto homologado dependendo da queda.

Barbados - Outra coisa que quero saber é se tem alguma garantia contra defeito de fabricação, ou algum eventual problema?

Motto - Sim. Todos os capacetes que apresentaram algum problema até hoje(o que por sinal é baixíssimo) foram devidamente solucionados.

Barbados - Fale um pouco sobre o seu processo de produção. É tudo feito artesanalmente?

Motto - O primeiro molde foi criado utilizando 3 cascos antigos, fazendo modificações, e assim chegamos a ideia do que queríamos, a partir dai foi feito um molde que serviu de base para os outros modelos, trocando somente a parte frontal ou “queixeira”, e assim fazendo outros moldes.

Fibra de vidro laminada

Depois de laminados em fibra de vidro por um profissional outro profissional faz a parte de acabamento, cortes, furos, lixamento e preparação para a pintura, ai e a vez do pintor, e posteriormente outro profissional faz a parte de forração, e por ultimo damos o toque final com uma boa encerada, colocação de adesivos, saquinho, embalagem, e por fim, a agencia dos correios envia um funcionário para buscar e postar nos correios.

 Barbados - Quantas pessoas estão envolvidas durante a produção?

Todo o processo é manual, acredito que ao todo diretamente ao processo temos, 2 fibreiros, 1 preparador, 2 pintores, 1 costureira, 1 forrador, 1 pessoa pra dar o acabamento final e embalar e mais o funcionário do correio que busca as encomendas!

Barbados - Qual o tempo médio de produção do capacete?

Motto - Como o trabalho é totalmente manual pode ser um pouco demorado. Dependemos exclusivamente de mão de obra, sendo assim, feriados atrapalham, uma pintura mais complexa pode ser mais demorada, muitas das vezes as artes mais complexas necessitam ser pintadas mais de uma vez, algum acidente no percurso, arranhão, queda, etc. Uma encomenda muito grande de lojista, problemas pessoais com os prestadores de serviço, entre vários outros fatores podem levar a atrasos. Correio para as regiões Norte, Nordeste e Sul do Brasil são bem demorados. Estamos em uma cidade interiorana do sudeste, pode ocorrer de não termos a matéria prima disponível, enfim, uma série de fatores podem levar a uma demora maior que o esperado, eventualmente entregamos antes do combinado, mas pedimos 30 dias de produção em média.

Barbados - Pra finalizar, se alguns dos nossos leitores de interessar pelos capacetes da Motto Custom, como eles fazem para estar adquirindo?

Motto - Temos o nosso site pronto, porem não estamos no ar ainda pois não conseguimos manter um mínimo de peças em estoque devido a demanda. Por enquanto estamos atendendo pelas redes sociais (Instagram e Facebook) e pelo email mottocustom@gmail.com.

Gostaria de agradecer o Humberto pelo bate-papo e parabenizar todos os envolvidos no processo de produção dos capacetes pelo ótimo trabalho.

Porém tem uma coisa que eu não posso deixar comentar. Por se tratar de capacetes que não são homologados e não foram testados de acordo com as normas de segurança exigidas pela nossa legislação, o que também não quer dizer muita coisa, já que tem tanto capacete porcaria com selo do Inmetro por ai, mas ainda assim como o pessoal da Motto Custom já recomenda eu pensaria um pouco antes de sair com ele para uma longa viagem por exemplo. Acho que num rolezinho na cidade não teria tanto receio. E para que fique claro o que eu estou dizendo, só porque eles não foram testados ainda não quer dizer que não irão passar (e nem que serão aprovados) nos testes de segurança, e como foi dito na entrevista o investimento nesse caso é altíssimo.

Então cabe a você usuário a decisão de utilizar ou não este produto (por conta e risco de quem compra). Como nunca utilizei esse capacete e nem tenho um em mãos, não tem como dar uma opinião melhor sobre o assunto. Mas pelo que vi na internet eles atendem super bem e seus usuários estão satisfeitos no que diz respeito a estética e acabamento, mas no quesito segurança (como disse antes, por não ser homologado) vai de cada um.

O capacete é uma das poucas proteções que nos temos, então acho que deve ser dada a devida atenção nesse quesito, e que cada um saiba ponderar o que acha mais importante.

domingo, 5 de julho de 2015

ENTREVISTA #03 - FORTIORI MOTO DESIGN

Mais uma entrevista no Barbados. Desta vez com o Mariano da Fotiori Moto Design que vem fazendo trabalhos "fodásticos" aqui em Ubá.

Malévola

Barbados - Como é sabido, o seu primeiro projeto foi a Malévola que deu o que falar em alguns blogs importantes no meio, como Old Dog e Garagem CR. E depois disso, apareceram muitos projetos?

FMD - A Malévola, foi o meu primeiro projeto sim, ele nasceu como meu projeto de Graduação em Design de Produtos na UEMG. Depois disso eu e meus dois irmãos Leandro e Marcelo, decidimos nos dedicar nesta área de personalização de motos.
Depois deste, chegamos a fazer outros projetos, que vai de alguns trabalhos de recuperação de peças, desde estrutura (solda em chassi); tampas de motores (Kawasaki, Harley, Honda); escapamentos esportivos, pedaleiras (comando avançado para Harley); banco solo e Santo Antônio para Harley; baús para viagem, afastadores de alforges entre outras coisas.

Comando avançado / Santo Antônio / Banco solo

CB 400 - La Signorina


Barbados - Tem alguma restrição em relação a modelo, cilindrada e tipo de customização ou o que aparecer é sempre bem vindo?

FMD - Não temos nenhuma restrição em relação às motos, seja modelo, cilindrada ou marca. Gostamos mesmo é de motos, e cada projeto, por mais simples que seja, é sempre um momento de aprendizado.

Barbados - Conte um pouco sobre o seu processo criativo. O cliente tem espaço para participar ou fica tudo por sua conta, e o resultado final é uma surpresa para o dono da moto?

FMD - De tudo que fazemos, o primeiro passo é ouvir o cliente, saber o que para ele é importante, o que ele gosta. Com base nestas informações, fazemos algumas propostas e chegamos em um resultado. Temos projetos que pretendemos executar no futuro, que vai de motos 125cc a outras maiores, peças para personalização para motos e artigos para motociclistas, mas tudo isso vai depender do andamento e evolução de nossa estrutura e sinalização do mercado.

Projeto NX Falcon

Projeto HD Police 97

Barbados - De onde surgiu o nome Fortiori? Tem algum significado especial?

FMD - O nome da "empresa" surgiu durante o projeto na Faculdade, foi necessário que eu criasse um modelo de negócios para meu projeto (Malévola) sendo assim criei uma empresa fictícia, a Fortiori Moto Design (Fortiori, a palavra vem do Latim "Forte razão") que acabou ficando.

Barbados - Você trabalha em alguma outra área ou se dedica somente à oficina?

FMD - Atualmente trabalho como projetista em uma empresa que fabrica máquinas (indústria moveleira) e também presta serviços de manutenção e usinagem. O Marcelo também trabalha nesta empresa como gerente de produção e o Leandro trabalha em outra empresa como eletricista de Manutenção.

Barbados - Tirando o péssimo momento que estamos vivendo na economia, você acha que teria demanda aqui na região (Ubá) para trabalhar somente com customização?

FMD - Verdade, o pais atravessa um momento delicado. Com certeza isso afeta a todos os seguimentos, e para nós é difícil dizer como fica e ficará este mercado de customização de Ubá e região. Acredito que projetos grandes de customização talvez fiquem mais raros, mas pequenas personalizações, penso estas devem continuar acontecendo, afinal o motociclista sempre gosta de algo novo ou personalizado em sua motocicleta.

Barbados - No vídeo da Malévola dá pra perceber que você trabalha com um maquinário de primeira qualidade. Qual a dica que você daria para quem tem vontade de fazer algumas customizações mas não tem o equipamento adequado? Nós sabemos que se o cara tiver vontade e bom conhecimento consegue fazer muito com pouco, não é? Lógico que se tiver uma oficina "dos sonhos" tipo a sua, a brincadeira fica muito melhor.

FMD - O vídeo foi feito parte na empresa em que eu trabalho, no caso a parte da usinagem foi feito em centro de usinagem CNC e parte na oficina que temos na casa de meus pais. Quem me dera que nossa oficina fosse dos sonhos. Eu com meus irmãos, temos buscado sempre melhorar nossos recursos em termos de maquinários, ferramentas e tudo. Sempre que precisamos, temos nós mesmos construído muitos dos equipamentos que usamos, conforme a necessidade vem surgindo.
O ser humano tem uma capacidade incrível de realização seja para a criatividade, elaboração e execução, recursos em termos de ferramentas sempre ajudam e facilitam o trabalho, mas não é tudo. O ser humano por traz sempre fará a diferença.

Barbados - A Fortiori Moto Design possui algum site ou algo parecido? Como os novos clientes podem entrar em contato?

FMD - Já estamos montando um site, com todos os projetos e mais detalhes sobre os serviços prestados. Por hora podem entrar em contato através do email:

marianolaraujo@hotmail.com

Mariano, muito obrigado pela entrevista. Torço para que sua oficina continue crescendo e se continuar com trabalhos do nível que você tem feito com certeza vai crescer e muito.
E se estiver precisando de um estagiário, pode me chamar.

domingo, 7 de junho de 2015

ENTREVISTA #02 - BLACK MASK KUSTOM

A primeira entrevista ficou muito legal, então resolvi continuar.

O bate papo de hoje é com o Marcão da Black Mask Kustom. Comprei um capacete com eles no ano passado e o atendimento é "foda". Dão toda atenção possível e a entrega também é muito rápida.

Barbados - No Brasil hoje, a Black Mask é uma referência em relação à capacetes e acessórios voltados para a Kustom Kulture. Há quanto tempo você tem a loja? Além da paixão por duas rodas, o que te levou para esse ramo?

BMK - Além da paixão pelo motociclismo e toda a cultura Kustom, a Black Mask surgiu da dificuldade que tínhamos em conseguir acessórios para nosso uso pessoal. Foram anos correndo atrás de acessórios exclusivos,  até que resolvemos abrir a empresa há 3 anos e tornar tudo mais acessível e prático para todos. Pode parecer pouco, mas este ramo é bem fechado e restrito, onde todo mundo conhece todo mundo. Uma empresa que não seja séria e comprometida com a satisfação dos irmãos motociclistas não dura um mês no mercado. Faço questão que nosso relacionamento com os clientes seja bem próximo, fazendo de cada cliente um novo amigo. Além disso, a BMK vai muito além das relações comerciais. Nossos clientes/amigos se identificam muito com a marca e com o estilo de vida que ela representa. Estamos muito felizes em contribuir com o cenário Kustom no Brasil.

Barbados - Tem ideia de quantos capacetes já vendeu até hoje? Além dos capacetes e acessórios você nunca pensou em trabalhar com outras coisas tipo: luvas, carteiras, botas tudo old school?

BMK - Não tenho um número exato, mas posso te afirmar que tem mais de 1500 capacetes da Black Mask rodando pelas estradas do Brasil e do exterior. Todo e qualquer produto dentro da Kustom Kulture está nos nossos planos, mas não temos pressa. Antes de colocarmos qualquer produto com o nosso nome a venda, temos que responder três perguntas: Tem qualidade? Tem preço justo? Nós compraríamos isso?
Se alguma dessas respostas for negativa, o produto tá fora. Foi assim com todos os produtos que temos disponíveis.

Barbados  - Se eu tivesse uma loja de capacetes teria pelo menos uns 3 modelos diferentes. Você tem mais de um?

BMK - Trabalhamos basicamente com um único modelo, em 4 cores diferentes: Branco, Vermelho, Preto Fosco e Preto Brilho. Logo mais teremos novidade. Por enquanto, estamos fazendo as três perguntas da resposta anterior.


Barbados - Não dá par falar de capacetes e acessórios e não falar de moto. Qual a motoca que você acelera? Tem alguma modificação?

BMK - Piloto moto há 23 anos e já tive muitas motos. Atualmente estou com uma HD Sportster 883 customizada por mim mesmo. É uma moto leve, ágil e perfeita para andar nos corredores apertados de São Paulo.


Barbados - Fez alguma modificação em relação à performance da moto, ou só mudou esteticamente? Tem pretensão de trocar a sporti por outra, ou está satisfeito? Já pensou em uma Indian? Eles anunciaram a vinda para o Brasil esse ano. O que você achou?

BMK - Só fiz alterações estéticas na moto. Estou bem satisfeito com a performance dela. Mesmo porque não é uma moto para alta performance e também não é meu objetivo. Tenho sim intenção de trocar. No momento penso em uma Deluxe, para tentar um projeto mais voltado para Chicano. Mas posso facilmente mudar de ideia com a chegada das Indians. No momento, os investimentos estão mais voltados para a BMK, mas na hora certa eu resolvo. Nada muito definido no momento.

Barbados - Acho que todo mundo que tem moto gosta de mexer um pouquinho no seu brinquedo. Você faz a sua própria manutenção?

BMK - Sou o típico "mexânico"... Vou mexendo um pouco aqui... um pouco lá. Trocando algumas coisas... Gostaria de saber bem mais do que sei.

Barbados - Já pensou em trabalhar com customizações ou não é muito a sua praia?

BMK - Como disse... Nada nesse ramo está descartado. Quem sabe aquelas 3 perguntas não cabem por aqui também? Os nossos planos são grandes. Se nossos caminhos nos levarem para isto, faremos com todo o prazer do mundo.

Pra finalizar gostaria de agradecer ao Marcão, pela atenção e parabenizá-lo pelo bom trabalho que ele faz. A gente se encontra na estrada. E se alguém precisar de um capacete ou acessórios, já sabe onde comprar.

sexta-feira, 6 de março de 2015

ENTREVISTA #01 - FOOS BEER

Hoje vou inaugurar um novo tópico aqui no blog: Entrevista!!

Nosso primeiro entrevistado é a cervejaria Foos Beer que pertence aos sócios Fernando e Samuel. O contato inicial que tive com a cerveja, foi uma garrafa que ganhei de um amigo meu. Era do tipo Weiss (Trigo), e me surpreendeu pela qualidade e equilíbrio. Além disso, o fato de ser fabricada em uma cidade bem próxima (Juiz de Fora), o que facilita a compra. Entrei em contato pela página do facebook para saber mais e acabou surgindo a ideia da entrevista.

Barbados - Há quanto tempo vocês trabalham fazendo cerveja?

Foos Beer - Começamos a fazer cerveja artesanal há dois anos.

Barbados - Como aprenderam a fazer cerveja?

Foos Beer - Começamos estudando em posts e reportagens, principalmente na internet. Depois fiz curso de produção de cerveja artesanal na Prosit Cerveja Artesanal em Petrópolis-RJ. Também estudamos nas apostilas e CD/DVD adquiridos na cervejando.com.



Barbados - Qual o significado do nome FOOS BEER?

Foos Beer - O nome surgiu das letras iniciais dos nomes dos fabricantes.

Barbados - Começou como hobbie ou sempre tiveram a intenção de montar um negócio?

Foos Beer - Começamos como hobbie, mas os amigos estavam gostando muito da cerveja. Começamos a ter demanda e resolvemos aumentar a produção.

Barbados - Hoje quais são os tipos de cerveja que vocês produzem? Possuem alguma preferência quanto a fermentação: Larger ou Ale?

Foos Beer - Hoje fazemos três tipos: Weiss, Pale Ale e Stout.
Nossa preferência é pelas ALE.


Barbados - Qual a sua produção mensal em litros?

Foos Beer - A produção está em 200 litros.

Barbados - Já criaram alguma receita nova?

Foos Beer - Criação propriamente dita não, mas nossas receitas foram todas alteradas para ficar dentro do padrão que desejamos e sem perder as características principais das cervejas.

Barbados - Nos últimos anos o mercado brasileiro teve um grande salto quanto ao consumo de cervejas artesanais. Como vocês enxergam esse crescimento e quais são os seus planos futuros para a cervejaria?

Foos Beer - Acreditamos que o consumidor brasileiro vem tendo a oportunidade de conhecer as cervejas artesanais, isto é "cervejas de verdade". Como essas cervejas estão sendo muito divulgadas, isto tem gerado curiosidade dos consumidores que estão ficando cada vez mais adeptos das cervejas artesanais e mudando seus hábitos quanto ao consumo de cerveja. Esta mudança de hábito é principalmente em função da ótima qualidade e variedade das cervejas artesanais produzidas no Brasil, principalmente pelos pequenos produtores (caseiro).
Pretendemos aumentar nossa produção e distribuição em 100% no ano de 2015. Para em 2016 montarmos uma micro cervejaria sem alterar o estilo e receita da cerveja que hoje produzimos.

Gostaria de agradecer a Foos Beer pela atenção que me foi dada. Não recebi nenhum valor pela entrevista e nem tenho essa intenção. O foco aqui é disseminar o consumo de cervejas artesanais e estimular pessoas que tenham vontade de produzir a sua própria cerveja. Mais pra frente devo experimentar a Pale Ale e a Stout da Foos Beer e fazer um post sobre elas.